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Nada é mais fugidio e impreciso que a felicidade

 

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Photo CC par Robert Collins via Unsplash

Não conhecemos e não controlamos nada. Tudo nos escapa. Sobretudo o que é antigo, belo ou intangível. Há uma imensidão de coisas que se impõem sobre a nossa natureza e que nos subjugam. Nos resta apenas assumir nossa impotência diante do sagrado. Sagrado é aquilo que ultrapassa a experiência, o saber e a ciência. De que somos feitos? O que nos move? De que matéria é composta a felicidade? Se há um só denominador comum a todos homens da terra, é este o anseio pela felicidade. Certamente o combustível que anima o homem. Um tecido de tramas complexas e finas do qual ignoramos a origem e a técnica. Uma arte da qual pouco ou nada sabemos. Face ao sublime, deve-se raciocinar ou sentir? Aprecia-se os acordes de harmoniosa melodia através do estudo da técnica ou da paixão que inflige aos olhos a presença de algumas lágrimas? Nada é mais fugidio e impreciso que a felicidade.

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Les violences faites aux femmes : les chiffres montrent que l’on est encore loin de résoudre ce problème

Les chiffres sont étonnants. En France, en moyenne 225 000  femmes sont victimes de violences physiques ou sexuelles au sein du couple, c’est ce que dit l’ênquete « Cadre de vie et sécurité », réalisée par l’INSEE-ONDRP entre 2012 et 2017. En ce qui concerne les violences sexuelles, 84 000 femmes par an sont victimes de viol et de tentatives de viol. L’agresseur, dans 45% des cas, est le partenaire ou l’ex-partenaire.

Ces chiffres, sont détaillés sur le site stop-violences-femmes, une initiative du Secrétariat d’État en charge de l’égalité entre les femmes et les hommes, avec le soutien de la Comission Européenne. Au délà de diffuser les résultats d’enquêtes et d’études sur les violences faites aux femmes, ce site offre principalement de l’aide aux victimes, qui peuvent obtenir des informations utiles comme la localisation des associations de soutien, à qui s’adresser en cas d’agression et les números d’écoute, d’information et d’orientation.  Le numéro national, 39 19 (Violences Femmes Info), anonyme et gratuit, propose un service spécialisé d’écoute et de traitement des demandes concernantes les violences conjugales. Pour les autres types de violences, une orientation adaptée est garantie.

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Infographie réalisée par Ylessa Stephanie Oliveira via Piktochart

Dans ce qui concerne les violences sexuelles, l’INED a effectuée en 2016  l’enquête « Violences et rapports de genre » (VIRAGE) pour estimer le pourcentage de femmes et d’hommes ayant subi des agressions. La violence sexuelle a touché environt 5 millions de femmes en France. Cela dit, comme une grande partie de victimes de ce genre de violence n’ose pas dénoncer, ce nombre reste approximatif.

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Infographie réalisée par Ylessa Stephanie Oliveira via Piktochart

Source: Les chiffres de référence sur les violences faites aux femmesstop-violences-femmes.gouv.fr et Bilan démographique 2016, INSEE

 

 

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Cause we’ll always have Paris

Paris n’est pas une ville, Paris est une poésie. Voici un simple manifeste d’amour pour ma ville préférée. Publication disponible en portugais.

LUMINEUX. C’est ce que j’ai pensé quand j’ai vu Paris pour la première fois de ma vie. La première fois en chair et en os car j’avais déjà visité la capitale française de bien d’autres manières, à travers le cinéma, la musique, la littérature et même dans les rêves, si bien qu’il était impossible de nier la sensation de déjà vu. Je suis arrivée à Paris en taxi de l’aéroport d’Orly. C’était en décembre, précisément le 23 décembre 2015, la veille de Noël. J’étais complètement absorbée par ce moment qui a marqué ma mémoire à jamais. Difficile de décrire le sentiment que j’ai éprouvé, mais tout semblait sublime: le froid du début de l’hiver (ma saison préférée), le « vous-allez où madame? » du chauffeur de taxi, la radio française qu’il écoutait en chemin, les immeubles haussmanniens qui défilaient par la fenêtre et surtout la vue de la Tour Eiffel qui me semblait si familière. C’était comme si je l’avais connue depuis toujours.

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Cause we’ll always have Paris

Paris não é uma cidade, Paris é uma poesia. Um singelo manifesto de amor para a minha cidade preferida. Post disponível também em francês, aqui.

BRILHANTE. Foi o que pensei quando vi Paris pela primeira vez na vida. Primeira vez em carne e osso, pois já havia visitado a capital francesa anteriormente de tantas outras formas, através do cinema, da música, de livros e mesmo em sonhos, que seria impossível negar a sensação de (re)conhecimento. Cheguei em Paris de táxi, vindo do aeroporto de Orly. Era dezembro, precisamente 23 de dezembro de 2015, antevéspera de Natal. Fui completamente absorvida pelo momento, do qual me lembrarei para sempre. Não sei descrever a sensação que tive, mas sei que tudo pareceu sublime: o clima frio de início de inverno (minha estação favorita), o « vous-allez où madame? » do motorista de táxi, a rádio francesa que ele escutou durante o caminho, os edifícios haussmanianos que desfilavam pela janela e sobretudo a vista da Torre Eiffel, que me pareceu tão familiar. Foi como se eu a conhecesse desde sempre.

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« La Tour Eiffel » – Photo par Ylessa Stephanie Oliveira, décembre 2015

Em Paris conheci e reconheci o mundo e a mim mesma: foi a primeira cidade estrangeira que visitei. Foram meus primeiros passos em um solo onde a língua falada não era a minha. Minha primeira viagem inteiramente sozinha. Aprendi que o mundo era enorme e que eu era cidadã dele. Foram cinco dias, pouco, é claro, mas foi o suficiente para eu ter a sensação de ter vivido uma vida inteira.

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Photo par Ylessa Stephanie Oliveira, décembre 2015

Vin chaud et croissants

Foram tantas sensações, impressões, aromas, cores e sonhos que a sensação de “déjà vu” era tão forte à ponto de doer. Sinto até hoje o aroma adocicado do « vin chaud » em Montmartre e o gosto amanteigado do croissant servido no café-da-manhã do Hotel. Fui embora com a certeza de que havia amado Paris e que a amaria para sempre. A cidade dos poetas, das Piafs, dos boêmios, das Amélies Poulains, dos pintores, das Kikis de Montparnasse e de tantos outros me trouxe muitas coisas, coisas com as quais eu não sei lidar sem sofrer pontadas de nostalgia até hoje.

Tenho certeza de que a cada visita à Paris, me trará novas e cada vez melhores coisas para falar sobre a cidade. Porque Paris é cidade para se degustar, apreciar e virar amante. E ser amante é ansiar pelos próximos encontros, é reforçar a cada saudade as cores das lembranças.

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« Le coucher du solei à Montmartre » Photo par Ylessa Stephanie Oliveira, décembre 2015

Esta poesia viva chamada Paris

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« L’amour court les rues » –  Tag sur un mur à Montmartre. Photo par Ylessa Stephanie Oliveira, décembre 2015

Impossível conhecer uma cidade em tão pouco tempo. Impossível afirmar e fazer conclusões rígidas sobre um lugar sem acabar fazendo generalizações injustas. Mas certas impressões marcam e são estas que quero compartilhar.

Realmente amo inverno. Nem vou enumerar as vantagens da estação porque quem gosta de calor vai continuar gostando e quem gosta de frio também. Paris no inverno parece uma obra de arte: com suas árvores secas e folhas mortas no chão dançando ao sabor do vento, sem mencionar um dramático céu azul acinzentado que anuncia chuva. Paris une o antigo e moderno de uma forma absurdamente harmônica: o Louvre e sua piramide, o Centro Pompidou e os edifícios antigos que o cercam, o Arco da Défense, perfeitamente alinhado com o Arco do Triunfo, entre tantos outros exemplos que poderia citar. Falando em Louvre: é um museu muito grande para um só dia de visita. Nem adianta tentar ver tudo correndo, o bom é ter tempo para apreciar cada setor.

O metrô parisiense é mágico, são cerca de 16 linhas (se contamos as linhas 3 e 7 bis) que se cruzam e que te levam até pra Nárnia! Alegria, alegria! Paris é uma cidade plana (sou de Belo Horizonte e Belo Horizonte é a cidade dos morros)! Que alegria! A maioria dos lugares que visitei eram planos (com exceção de Montmartre). A gente anda léguas e não sofre. Novamente, alegria, alegria!

Rive Gauche que me perdoe, mas a minha relação com a Rive Droite foi amor à primeira vista. As minhas paixões são o 9ème e o 18ème arrondissement! O 9ème é vivo, movimentado e de certa forma central. Já o 18ème é boêmio e poético.  Barbès e toda aquela movimentação, vendedores, barracas e não sei mais o que, me fez lembrar do centro de Belo Horizonte (Avenida Santos Dumont, Paraná e aquela região do Mercado Central). Uma bagunça estranhamente harmônica.

A Torre Eiffel é divina, mas não me fez chorar. Montmartre me fez chorar assim que saí da estação Abbesses. As pequenas ruas, as lojinhas de souvenirs, o carrossel e a melodia de caixinha de música que não sei de onde vinha me emocionaram. Parece que voltei no tempo e achei algo muito precioso que havia perdido. O entardecer, visto das escadarias que levam à Basílica do Sacré-Coeur parecia uma tela em tons de rosa, azul e lilás, que poderia ter sido pintada por Monet.

Os parisienses são os paulistanos franceses! Sempre com pressa, sempre correndo, sempre atarefados. Não vi nenhum ser humano mal-vestido (nem os pedintes). Corrobora minha tese sobre a existência de um gene do bom gosto no francês, especialmente no parisiense. Até os pedintes parisienses me impressionaram. Eles me pediam dinheiro, eu dizia não e eles respondiam “c’est pas grave madame. Bonne journée à vous!”. Olha, não vou dizer que são todos assim, mas os que encontrei me deram uma boa impressão.

Franceses falam inglês sim! Importante desmentir esse cliché. Em todos os pontos turísticos eu via funcionários falando inglês e até espanhol. Em farmácias, supermercados e em grandes lojas também! E eles não ficavam incomodados de falar inglês não, contrariamente ao que reza a lenda. Inclusive, eles ficavam super animados falando inglês comigo, à despeito do meu insistente “en français s’il vous plaît”.

Paris é uma cidade super cosmopolita. Vc encontra pessoas de TODO O MUNDO (norte-americanos, russos, italianos, libaneses, ingleses, marroquinos, indianos, angolanos, chineses foram só algumas das nacionalidades de pessoas que encontrei). E os asiáticos ? Os asiáticos são alucinados por Paris. E por compras. Estão sempre bem vestidos e com muitas sacolas.

Moraria em Paris. Teria uma vespa, sapatos sem salto à moda boyish e um casaco azul-marinho. Iria procurar um café de ar misterioso em vieux Montmartre e trabalharia em dupla: minha caneta e eu. Tranquila, sem medo do futuro, cause we’ll always have Paris.

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« Les amoureux au bord de la Seine » – Photo par Ylessa Stephanie Oliveira, décembre 2015
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Serge Gainsbourg, la vie et le « je ne sais quoi »

Texte originalement publié en portugais le 10 juin 2016 dans mon ancien blog « C’est parti ».

Je ne sais quoi. C’est une expression française que j’adore, surtout, parce qu’elle est aussi utilisée en portugais, mais à la française. On sort au milieu d’une phrase l’expression en français. Ça m’a toujours fait sourire, même avant que j’apprenne le français. Ce que j’adore c’est son pouvoir de synthèse et sa capacité à dire l’indicible. « Je ne sais quoi » on l’utilise quand on veut dire qu’il y a quelque chose qui n’est pas comprise, mais quelque chose de bien, un plus inexplicable :

« Cette actrice est très talentueuse.  Elle a un je ne sais quoi. Elle m’enchante. »

« Serge Gainsbourg n’était pas beau, mais il avait un je ne sais quoi qui le rendait très attirant. »

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Serge Gainsbourg et son « je ne sais quoi » – Photo via Flickr

Quand on dit qu’une personne a un « je ne sais quoi », on parle d’une aura lumineuse, d’un charme, d’une magie, d’un mystère, de quelque chose impossible à expliquer, à traduire ou à définir avec exatitude. On l’utilise aussi l’expression pour faire référence à quelque chose d’inanimé, comme une ville. Paris a un « je ne sais quoi ». Rio de Janeiro a un je ne sais quoi.

Je sens que l’existence a un « je ne sais quoi ». En fait, la vie est un grand « je ne sais quoi ». On ne la comprend pas, mais elle a quelque chose d’inexplicablement bon et attrayant, malgré les éventuels chagrins. Parmi toutes les difficultés inhérentes à l’existence, on trouve de la magie, de la soif, des pulsions positives. Comme si la vie était une pierre brute, une émeraude. Mais il est impossible de savoir qu’il s’agit d’une pierre précieuse, car on voit cette pierre brute, encore sale et poussièreuse. Simplement, on reste immobile devant elle, sans savoir exactement pourquoi.

Je suis dans un moment comme celui-là. Un moment « je ne sais quoi ». Il se passe quelque chose de bon, d’attrayant et de magique, mais je n’arrive pas à savoir ce que c’est. Il y a beaucoup à savoir, mais il y a si peu, si peu de compréhension.

 

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Quem tem boca vai à Roma ou… aonde quiser!

Post originalmente publicado em 09 de junho de 2016 no meu antigo blog.

Outro dia desses, pesquisando quais as cidades fora da França que eram mais próximas de Lyon (para onde vou em breve), ou seja, qual outro país eu poderia conhecer sem me deslocar muito e principalmente sem gastar muito dinheiro, descobri este site maravilhoso aqui: Rome 2 Rio

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Lá você pode descobrir como ir de uma cidade qualquer para outra qualquer… Eles te mostram:

  1. Qual é a distância de onde você está até onde você quer ir;
  2. Quais são os meios de transporte disponíveis (ônibus, trem, avião, barca, automóvel, camelo);
  3. Quais os valores de cada opção de transporte (eles te dão uma média de preços);
  4. Quanto tempo de duração terá a viagem em cada opção de transporte disponível;
  5. Quantas opções de rotas, todas traçadas num mapinha…

Dai você pode ir para onde quiser (ou pelo menos saber como fazê-lo) e também procurar hotéis na região. O site está disponível em português, o que é muito amor, é claro. Ah, e você pode também escolher a moeda a ser utilizada no cálculo de valores. Resumindo, é um negócio lindo.

Experimentem! E sempre que possível, viajem!

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Jeune fille au pair en France : échange culturel ou exploitation ?

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Photo CC par Jad Limcaco via Unsplash

Faire un séjour en France, apprendre la langue française en immersion et connaître la culture du pays au sein d’une famille d’accueil. Devenir jeune fille/garçon au pair semble être une opportunité de vivre une agréable expérience d’échange culturel. La promesse d’être pris en charge ayant comme contrepartie la participation aux tâches familiales courantes fait briller les yeux de miliers des jeunes étrangers. Cependant, la réalité n’est pas toujours rose. Certaines familles voient le jeune au pair comme un employé à bas coût. Un cauchemar auquel ces jeunes ne s’attendaient pas. Lire la suite de « Jeune fille au pair en France : échange culturel ou exploitation ? »

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Sobre o tempo

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Photo CC par Fabrizio Verrechia via Unsplash

Tempo. Um antigo dragão. Um leão devorador. Um tigre de apetite voraz. Um mago que transforma meninos em homens, homens em sepulturas e sonhos em projetos ultrapassados. Que faz dos humanos pó, que leva as rosas a fenecerem e que nos faz sermos o que somos. Sem este senhor não acreditaríamos que lagartas são capazes de se fazerem borboletas nem que castelos se desmontam em ruínas. O tempo faz do homem mortal e o convence a ser finito, a extinguir-se. Sejam as árvores verdejantes que se travestem de amarelo quando o outono as consome, sejam os nossos desejos mais íntimos que se transfiguram em aspirações diversas, é certo que o tempo rege a todos. E não os distingue. Perante o tempo, todos os homens são iguais. Todos os homens são feitos de igual e risível fragilidade. E como competente maestro que é, o tempo orquestra sinfonias. Melódicas e bonitas. Ao tempo tudo pertence: o dia, a noite, a aurora, as primaveras, as dores, os sonhos, os amores. E igualmente sobre estes, o tempo jamais deixará de agir.

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Sente-se a falta com muito mais intensidade do que se sente o gozo da presença, da satisfação, da realização

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Photo CC par Kinga Cichewicz via Unsplash

Hoje tive vontade de sofrer. Não, não. Essa vontade não surgiu por causa de distúrbios psicológicos, nem mesmo por causa de qualquer espécie de masoquismo não sexual que eu possa ter. Pode parecer estranho, especialmente em dias de aclamação da felicidade, ainda que esta seja superficial, ou resultante de sensações frívolas ou forçadas. Por isso devo e posso explicar.

Para ser sincera, confesso que estava bem e que algo deu errado. Algo que talvez fosse preciso dar errado, porém quando de fato o erro mostrou as caras, o coração mostrou estar despreparado. Então sofri. E me dei conta que mesmo sofrendo, estava feliz, pois havia reencontrado uma velha conhecida que há tempos não me visitava, cuja falta eu já estava sentindo. E eu assumo: senti saudades.

Cara tristeza, mesmo sofrendo pela sua presença, estou feliz. Feliz pelo reencontro, pois senti falta daquela melancolia, daquela dorzinha gostosa que só você traz e que nos faz pensar. Refletir, contemplar, suspirar, desejar. Convenhamos, não é necessário nenhum sofrimento trazido pela sua presença para que alguém possa parar e refletir sobre sua própria vida, mas bem se sabe que somos humanos. Não refletimos na glória. Eternos em conflitos, perdidos em angústias e guiados por desejos que não podem ser satisfeitos se contamos preservar nosso equilíbrio.

Meus caros… Existe algo mais autêntico que a dor? Se existe, com certeza não tem o mesmo valor para nossos insanos corações. Impressionante que quando se tem algo, o valor nunca é muito grande, mas vá lá deixar faltá-lo para se perceber o rasgo no peito. Nós sentimos a falta com muito mais intensidade do que sentimos o gozo da presença, da satisfação, da realização!

E se não houvesse dor?  E se não existissem lágrimas? E se nosso peito não ardesse nunca? Deus me livre viver sem sofrer. Deus os livre também. É no caos é que se cria. Dê a um sujeito tudo o que ele sempre quis e estará o pobre condenado ao desespero de nada mais desejar. Viverá o infeliz “feliz” numa constante e inalterada alegria, que obviamente pouco terá de feliz. Deixa o homem de existir quando este nada tem para desejar.

A plenitude não é humana. A satisfação tão pouco. Tão clichê não? Mas o que seriam dos momentos felizes, leia-se momentos de satisfação ou de realização se não fossem as perdas, as faltas e as sempre tão sentidas ausências? Que valor teria aquele copo de água gelada no meio da tarde calorenta de verão, se não sentíssemos sede? Com toda certeza, o valor não seria o mesmo.

Dizem que quando os Deuses querem nos castigar eles são cruéis. Eles nos dão tudo que queremos. Então, passamos a nada mais querer ou pior: tudo aquilo antes tão querido torna-se trivial.

Por isso digo: vez ou outra sou capaz de agradecer aquela pontada de tristeza a me cutucar. Sou capaz de sentir especial prazer em ver um sonho não se concretizar ou em olhar para trás e ver o que de bom poderia ter sido, mas não foi. E se a falta me atormenta, bem sei que a falta de ter falta seria muito pior. Gosto de corajosamente dizer à dor que entre sem bater, que venha quando tiver de vir e que me permita ver toda singularidade que só ela pode trazer.

Inegável que sem ela não teriam sido escritos os mais belos poemas, as mais desconcertantes e sinceras cartas de amor, bem como não existiriam tantas lindas canções. Que seria de “detalhes tão pequenos de nós dois” se não fossem as lembranças de algum amor perdido do Roberto? Se não fosse a amada que foi embora, para quem ele deseja que se lembre das palavras de amor ditas ao pé do ouvido?

E a dor tem outras vantagens. Nela nada é temido. Tudo se sente e nada se espera. Não se sofre pelo temor de ver a felicidade ir embora; apenas deixa-se sangrar gota por gota até que tudo passe. Por isso, aproveito o instante para me romper em lágrimas. Ao som ou em companhia de qualquer outro sofredor, de peito tão rasgado como o meu.

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6 conclusões sobre a minha primeira aula de Zumba

Texto originalmente publicado em 01 de agosto de 2015 no meu Facebook.

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Photo CC par Ayo Ogunseinde via Unsplash
  1. Tenho CERTEZA que o lado direito e o lado esquerdo do meu corpo não são comandados pelo mesmo cérebro. Não tem condições: dois pés esquerdos é pouco. Tenho pés no lugar das mãos e mãos no lugar dos pés. Todos eles esquerdos.
  2. Se professores de Jump são frenéticos, os de Zumba conseguem ser IMPOSSÍVEIS.
  3. Nunca suei tanto na vida, mas até que demorei pra ficar acabada. Teve gente que já estava nadando em suor antes de meia hora de aula.
  4. A professora (que por sinal era muito talentosa) não parecia um ser humano normal. Gente! Além da energia absurda e do corpo perfeito, nem suar ela suava. Só nos últimos 15 minutos eu vi um sinal de transpiração, quando eu já estava quase tendo certeza de que ela era um robozinho de alta tecnologia.
  5. Tudo cantado em espanhol fica sensual.
  6. Não dá pra ficar parado ou ter preguiça escutando ritmos latinos. O negócio é contagiante.

Super recomendo. Teve até um pouquinho de dança do ventre nessa aula. Devo ter queimado até as calorias que pensei ingerir mais tarde.