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Nada é mais fugidio e impreciso que a felicidade

 

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Photo CC par Robert Collins via Unsplash

Não conhecemos e não controlamos nada. Tudo nos escapa. Sobretudo o que é antigo, belo ou intangível. Há uma imensidão de coisas que se impõem sobre a nossa natureza e que nos subjugam. Nos resta apenas assumir nossa impotência diante do sagrado. Sagrado é aquilo que ultrapassa a experiência, o saber e a ciência. De que somos feitos? O que nos move? De que matéria é composta a felicidade? Se há um só denominador comum a todos homens da terra, é este o anseio pela felicidade. Certamente o combustível que anima o homem. Um tecido de tramas complexas e finas do qual ignoramos a origem e a técnica. Uma arte da qual pouco ou nada sabemos. Face ao sublime, deve-se raciocinar ou sentir? Aprecia-se os acordes de harmoniosa melodia através do estudo da técnica ou da paixão que inflige aos olhos a presença de algumas lágrimas? Nada é mais fugidio e impreciso que a felicidade.

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Publié dans Français

Cause we’ll always have Paris

Paris n’est pas une ville, Paris est une poésie. Voici un simple manifeste d’amour pour ma ville préférée. Publication disponible en portugais.

LUMINEUX. C’est ce que j’ai pensé quand j’ai vu Paris pour la première fois de ma vie. La première fois en chair et en os car j’avais déjà visité la capitale française de bien d’autres manières, à travers le cinéma, la musique, la littérature et même dans les rêves, si bien qu’il était impossible de nier la sensation de déjà vu. Je suis arrivée à Paris en taxi de l’aéroport d’Orly. C’était en décembre, précisément le 23 décembre 2015, la veille de Noël. J’étais complètement absorbée par ce moment qui a marqué ma mémoire à jamais. Difficile de décrire le sentiment que j’ai éprouvé, mais tout semblait sublime: le froid du début de l’hiver (ma saison préférée), le « vous-allez où madame? » du chauffeur de taxi, la radio française qu’il écoutait en chemin, les immeubles haussmanniens qui défilaient par la fenêtre et surtout la vue de la Tour Eiffel qui me semblait si familière. C’était comme si je l’avais connue depuis toujours.

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Sobre o tempo

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Photo CC par Fabrizio Verrechia via Unsplash

Tempo. Um antigo dragão. Um leão devorador. Um tigre de apetite voraz. Um mago que transforma meninos em homens, homens em sepulturas e sonhos em projetos ultrapassados. Que faz dos humanos pó, que leva as rosas a fenecerem e que nos faz sermos o que somos. Sem este senhor não acreditaríamos que lagartas são capazes de se fazerem borboletas nem que castelos se desmontam em ruínas. O tempo faz do homem mortal e o convence a ser finito, a extinguir-se. Sejam as árvores verdejantes que se travestem de amarelo quando o outono as consome, sejam os nossos desejos mais íntimos que se transfiguram em aspirações diversas, é certo que o tempo rege a todos. E não os distingue. Perante o tempo, todos os homens são iguais. Todos os homens são feitos de igual e risível fragilidade. E como competente maestro que é, o tempo orquestra sinfonias. Melódicas e bonitas. Ao tempo tudo pertence: o dia, a noite, a aurora, as primaveras, as dores, os sonhos, os amores. E igualmente sobre estes, o tempo jamais deixará de agir.