Publié dans Português

Sobre o tempo

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Photo CC par Fabrizio Verrechia via Unsplash

Tempo. Um antigo dragão. Um leão devorador. Um tigre de apetite voraz. Um mago que transforma meninos em homens, homens em sepulturas e sonhos em projetos ultrapassados. Que faz dos humanos pó, que leva as rosas a fenecerem e que nos faz sermos o que somos. Sem este senhor não acreditaríamos que lagartas são capazes de se fazerem borboletas nem que castelos se desmontam em ruínas. O tempo faz do homem mortal e o convence a ser finito, a extinguir-se. Sejam as árvores verdejantes que se travestem de amarelo quando o outono as consome, sejam os nossos desejos mais íntimos que se transfiguram em aspirações diversas, é certo que o tempo rege a todos. E não os distingue. Perante o tempo, todos os homens são iguais. Todos os homens são feitos de igual e risível fragilidade. E como competente maestro que é, o tempo orquestra sinfonias. Melódicas e bonitas. Ao tempo tudo pertence: o dia, a noite, a aurora, as primaveras, as dores, os sonhos, os amores. E igualmente sobre estes, o tempo jamais deixará de agir.

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