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Cause we’ll always have Paris

Paris não é uma cidade, Paris é uma poesia. Um singelo manifesto de amor para a minha cidade preferida. Post disponível também em francês, aqui.

BRILHANTE. Foi o que pensei quando vi Paris pela primeira vez na vida. Primeira vez em carne e osso, pois já havia visitado a capital francesa anteriormente de tantas outras formas, através do cinema, da música, de livros e mesmo em sonhos, que seria impossível negar a sensação de (re)conhecimento. Cheguei em Paris de táxi, vindo do aeroporto de Orly. Era dezembro, precisamente 23 de dezembro de 2015, antevéspera de Natal. Fui completamente absorvida pelo momento, do qual me lembrarei para sempre. Não sei descrever a sensação que tive, mas sei que tudo pareceu sublime: o clima frio de início de inverno (minha estação favorita), o « vous-allez où madame? » do motorista de táxi, a rádio francesa que ele escutou durante o caminho, os edifícios haussmanianos que desfilavam pela janela e sobretudo a vista da Torre Eiffel, que me pareceu tão familiar. Foi como se eu a conhecesse desde sempre.

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« La Tour Eiffel » – Photo par Ylessa Stephanie Oliveira, décembre 2015

Em Paris conheci e reconheci o mundo e a mim mesma: foi a primeira cidade estrangeira que visitei. Foram meus primeiros passos em um solo onde a língua falada não era a minha. Minha primeira viagem inteiramente sozinha. Aprendi que o mundo era enorme e que eu era cidadã dele. Foram cinco dias, pouco, é claro, mas foi o suficiente para eu ter a sensação de ter vivido uma vida inteira.

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Photo par Ylessa Stephanie Oliveira, décembre 2015

Vin chaud et croissants

Foram tantas sensações, impressões, aromas, cores e sonhos que a sensação de “déjà vu” era tão forte à ponto de doer. Sinto até hoje o aroma adocicado do « vin chaud » em Montmartre e o gosto amanteigado do croissant servido no café-da-manhã do Hotel. Fui embora com a certeza de que havia amado Paris e que a amaria para sempre. A cidade dos poetas, das Piafs, dos boêmios, das Amélies Poulains, dos pintores, das Kikis de Montparnasse e de tantos outros me trouxe muitas coisas, coisas com as quais eu não sei lidar sem sofrer pontadas de nostalgia até hoje.

Tenho certeza de que a cada visita à Paris, me trará novas e cada vez melhores coisas para falar sobre a cidade. Porque Paris é cidade para se degustar, apreciar e virar amante. E ser amante é ansiar pelos próximos encontros, é reforçar a cada saudade as cores das lembranças.

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« Le coucher du solei à Montmartre » Photo par Ylessa Stephanie Oliveira, décembre 2015

Esta poesia viva chamada Paris

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« L’amour court les rues » –  Tag sur un mur à Montmartre. Photo par Ylessa Stephanie Oliveira, décembre 2015

Impossível conhecer uma cidade em tão pouco tempo. Impossível afirmar e fazer conclusões rígidas sobre um lugar sem acabar fazendo generalizações injustas. Mas certas impressões marcam e são estas que quero compartilhar.

Realmente amo inverno. Nem vou enumerar as vantagens da estação porque quem gosta de calor vai continuar gostando e quem gosta de frio também. Paris no inverno parece uma obra de arte: com suas árvores secas e folhas mortas no chão dançando ao sabor do vento, sem mencionar um dramático céu azul acinzentado que anuncia chuva. Paris une o antigo e moderno de uma forma absurdamente harmônica: o Louvre e sua piramide, o Centro Pompidou e os edifícios antigos que o cercam, o Arco da Défense, perfeitamente alinhado com o Arco do Triunfo, entre tantos outros exemplos que poderia citar. Falando em Louvre: é um museu muito grande para um só dia de visita. Nem adianta tentar ver tudo correndo, o bom é ter tempo para apreciar cada setor.

O metrô parisiense é mágico, são cerca de 16 linhas (se contamos as linhas 3 e 7 bis) que se cruzam e que te levam até pra Nárnia! Alegria, alegria! Paris é uma cidade plana (sou de Belo Horizonte e Belo Horizonte é a cidade dos morros)! Que alegria! A maioria dos lugares que visitei eram planos (com exceção de Montmartre). A gente anda léguas e não sofre. Novamente, alegria, alegria!

Rive Gauche que me perdoe, mas a minha relação com a Rive Droite foi amor à primeira vista. As minhas paixões são o 9ème e o 18ème arrondissement! O 9ème é vivo, movimentado e de certa forma central. Já o 18ème é boêmio e poético.  Barbès e toda aquela movimentação, vendedores, barracas e não sei mais o que, me fez lembrar do centro de Belo Horizonte (Avenida Santos Dumont, Paraná e aquela região do Mercado Central). Uma bagunça estranhamente harmônica.

A Torre Eiffel é divina, mas não me fez chorar. Montmartre me fez chorar assim que saí da estação Abbesses. As pequenas ruas, as lojinhas de souvenirs, o carrossel e a melodia de caixinha de música que não sei de onde vinha me emocionaram. Parece que voltei no tempo e achei algo muito precioso que havia perdido. O entardecer, visto das escadarias que levam à Basílica do Sacré-Coeur parecia uma tela em tons de rosa, azul e lilás, que poderia ter sido pintada por Monet.

Os parisienses são os paulistanos franceses! Sempre com pressa, sempre correndo, sempre atarefados. Não vi nenhum ser humano mal-vestido (nem os pedintes). Corrobora minha tese sobre a existência de um gene do bom gosto no francês, especialmente no parisiense. Até os pedintes parisienses me impressionaram. Eles me pediam dinheiro, eu dizia não e eles respondiam “c’est pas grave madame. Bonne journée à vous!”. Olha, não vou dizer que são todos assim, mas os que encontrei me deram uma boa impressão.

Franceses falam inglês sim! Importante desmentir esse cliché. Em todos os pontos turísticos eu via funcionários falando inglês e até espanhol. Em farmácias, supermercados e em grandes lojas também! E eles não ficavam incomodados de falar inglês não, contrariamente ao que reza a lenda. Inclusive, eles ficavam super animados falando inglês comigo, à despeito do meu insistente “en français s’il vous plaît”.

Paris é uma cidade super cosmopolita. Vc encontra pessoas de TODO O MUNDO (norte-americanos, russos, italianos, libaneses, ingleses, marroquinos, indianos, angolanos, chineses foram só algumas das nacionalidades de pessoas que encontrei). E os asiáticos ? Os asiáticos são alucinados por Paris. E por compras. Estão sempre bem vestidos e com muitas sacolas.

Moraria em Paris. Teria uma vespa, sapatos sem salto à moda boyish e um casaco azul-marinho. Iria procurar um café de ar misterioso em vieux Montmartre e trabalharia em dupla: minha caneta e eu. Tranquila, sem medo do futuro, cause we’ll always have Paris.

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« Les amoureux au bord de la Seine » – Photo par Ylessa Stephanie Oliveira, décembre 2015
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Quem tem boca vai à Roma ou… aonde quiser!

Post originalmente publicado em 09 de junho de 2016 no meu antigo blog.

Outro dia desses, pesquisando quais as cidades fora da França que eram mais próximas de Lyon (para onde vou em breve), ou seja, qual outro país eu poderia conhecer sem me deslocar muito e principalmente sem gastar muito dinheiro, descobri este site maravilhoso aqui: Rome 2 Rio

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Lá você pode descobrir como ir de uma cidade qualquer para outra qualquer… Eles te mostram:

  1. Qual é a distância de onde você está até onde você quer ir;
  2. Quais são os meios de transporte disponíveis (ônibus, trem, avião, barca, automóvel, camelo);
  3. Quais os valores de cada opção de transporte (eles te dão uma média de preços);
  4. Quanto tempo de duração terá a viagem em cada opção de transporte disponível;
  5. Quantas opções de rotas, todas traçadas num mapinha…

Dai você pode ir para onde quiser (ou pelo menos saber como fazê-lo) e também procurar hotéis na região. O site está disponível em português, o que é muito amor, é claro. Ah, e você pode também escolher a moeda a ser utilizada no cálculo de valores. Resumindo, é um negócio lindo.

Experimentem! E sempre que possível, viajem!

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Todas as coisas boas são selvagens e livres

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Photo CC par Livin Wheel via Unsplash

Foi o que disse Henry David Thoreau, poeta e naturalista estadunidense. Thoreau era um amante da natureza, defendia a legitimidade da desobediência civil diante de um governo injusto (gosto disso, sou subversiva) e era um abolicionista!  Sim, ele defendia a liberdade.

Gosto muito dessa frase e ela representa a postura que quero ter diante da vida. Gosto que as coisas sejam simples, naturais e sobretudo livres. Acho que uma das principais necessidades humanas é a liberdade. Precisamos dela tal qual precisamos de amor ou de pão e água. Sem sermos livres, não vivemos, existimos penosamente.

Há algum tempo eu decidi partir, e para ser bem sincera, não sei muito bem por qual motivo. Eu sei que precisava ir. Claro, tomei a decisão não só baseada em meus anseios existenciais, analisei logicamente as vantagens e desvantagens de ir embora e deixar tudo para trás, mas é fato: o desejo de descobrir algo novo e a sede de liberdade e crescimento foram os grande motivadores.

Eu queria morar em vários lugares do mundo inteiro! Sim, loucura. Porque não me basta o “turistar”. Eu gosto é de viver o quotidiano de cada lugar, de explorar as coisas simples, comuns, não me basta vistar uma cidade e só conhecer os monumentos turísticos. E como são muitos os lugares que eu quero conhecer, seria preciso “morar” um pouquinho em cada um. Utópico, eu sei, mas o mundo é lindo e imenso. Quero saber como vivem os “do lado de lá”.

Decidi partir. Às vezes é preciso fazê-lo. Dói. Mas é necessário quando você ainda não achou o seu lugar no mundo. Ainda que seja para saber para onde você quer voltar. Que sejamos a liberdade em essência e que tenhamos a coragem como combustível.